Jovem descobre que tem testículos com cancro no estômago

Uma influenciadora digital e criadora de conteúdos inglesa revelou ser intersexo e contou o pesadelo que viveu na descoberta. Dani Coyle, natural de Swindon, no Reino Unido, sempre suspeitou que “era diferente”. Na adolescência acabou por descobrir, após consultar uma série de médicos, que não tinha útero e que tinha testículos escondidos no interior do estômago. Pior, os órgãos sexuais masculinos que Dani não sabia ter tinham cancro e ameaçavam-lhe a vida.

Aos 14 anos, enquanto as amigas começavam a ter as primeiras menstruações, Dani só tinha dores abdominais terríveis e, como os rapazes da sua idade, notou que a voz estava a engrossar. Estranhou e, após consultas especialistas, foi-lhe explicado que tinha um desvio de características de género que não iam de encontro ao que “tradicionalmente é aceite como o corpo de uma mulher”: era intersexo.

Foi-lhe diagnosticado uma deficiência relacionada com a produção da enzima 17ß-hidroxiesteroide desidrogenase tipo 3. Apesar de sempre parecer do sexo feminino, Dani não tinha hormonas femininas suficientes. Dani tinha cromossomas XY e não tinha órgãos reprodutores. O cancro nos testículos, acabados de descobrir numa ecografia, foi o golpe que quase derrubou a jovem inglesa.

Após retirar os testículos e recuperar da doença, Dani enfrentou os olhares da sociedade, que não a aceitava como intersexo, e começou a ser insultada pelos colegas de escola. “Tinha desejado ter palavras para descrever as diferenças que sentia desde pequena. Foi um alívio, mas também tive muito medo”, conta nas redes sociais.

“Tive medo que ninguém me ia amas, que ninguém ia gostar de mim. Durante muito tempo estive chateada com o mundo. Quais eram as probabilidades de isto me acontecer a mim? Primeiro quis manter em segredo e fiz a operação rapidamente para remover os meus testículos e ‘normalizar’ a minha aparência exterior, como me foi recomendado”, relata. No entanto, Dani percebeu que não tinha que seguir os padrões da sociedade e as exigências que esta lhe fazia.

“Também fiz terapia hormonal, tudo porque queria ser uma menina ‘normal’. Agora sinto que as cirurgias e tratamentos me foram apresentadas como a única opção viável, por médicos tendenciosos e formatados, que trabalham num sistema tendencioso e formatado, e que me causou uma quantidade imensurável de dor e trauma”, lamenta Dani.

Dani descobriu que era intersexo e que tinha cancro nos testículos

A inglesa, que usa pronomes femininos e neutros, quer agora chamar a atenção e educar todos para a importância de aceitar e compreender a realidade para lá do sexo e género binários (masculino e feminino).

“Achava que ser intersexo era uma maldição, mas agora sei que é uma bênção. Sou livre do confinamento e do aperto que são as expectativas de género. E sou parte do santuário da comunidade LGBTQIA+, que é um apoio imenso, e sinto que sou literalmente uma num milhão. As diferenças nos nossos corpos, identidades e culturas são coisas que devem ser celebradas. Vamos lá ser todos mais gentis com quem é diferente”, defende a jovem inglesa. FONTE